"Política para mulheres: um enredo bonito só na teoria?”
- Raquel Mendes
- 7 de jun. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 7 de jun. de 2025
"Por Raquel Mendes"
Fala-se muito em políticas públicas para mulheres. Há projetos, leis, conferências, encontros, campanhas de incentivo à participação feminina na política — e tudo isso parece um grande avanço. Mas quem já esteve no bastidor, na rua ou no cargo, sabe: esse enredo é bonito… só na teoria.
Apesar das leis de cotas e da crescente mobilização de movimentos femininos, ainda somos tratadas como “acessórios eleitorais” em muitos partidos. As candidaturas femininas são, muitas vezes, improvisadas, secundárias, ou usadas apenas para preencher uma formalidade legal. Poucas têm acesso real ao investimento, à visibilidade ou ao apoio político que os homens recebem com mais facilidade.
A pergunta que fica é: quem está disposto a dividir poder de verdade?
Enquanto o discurso segue aplaudido nas redes e nos palanques, a prática segue excludente. E isso não significa que estamos paradas. Pelo contrário: somos nós que estamos nos movimentando, tentando fazer com que a política nos caiba de forma justa, digna e participativa. Somos mães, trabalhadoras, militantes, vereadoras, suplentes, lideranças comunitárias, professoras, advogadas — e mesmo assim precisamos “provar” que somos capazes.
Será que ainda acham que política é um lugar que precisa ser nos “concedido”? Será que não perceberam que já é nosso por direito?
É hora de transformar o enredo. De fazer valer as leis, os projetos, os discursos. De romper o ciclo em que a mulher é lembrada na política só no mês de março ou no período eleitoral.
Somos vozes, votos, escolhas e potência. E enquanto nos subestimam, seguimos criando, mobilizando e ocupando. Porque política também é feita com afeto, com escuta, com verdade — e disso, nós entendemos muito bem.






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